Como fazer uma AEP passo a passo | ErgoEvolution
Pilar 1, Avaliação Ergonômica

Como fazer uma AEP
passo a passo

Roteiro prático para conduzir uma Avaliação Ergonômica Preliminar com metodologia, campos essenciais e registro estruturado para gestão e auditoria.

Home Conteúdo Técnico Avaliação Ergonômica Como fazer uma AEP
Ponto de partida

Antes de começar: o que você precisa definir

A AEP não começa no campo. Antes de qualquer visita ao posto de trabalho, é necessário definir o escopo da avaliação: quais unidades, quais setores e quais atividades serão avaliadas. Sem esse planejamento, o processo fica incompleto e perde consistência.

Também é preciso definir a abordagem metodológica que será adotada, já que a NR17 não exige um método específico, mas determina que a avaliação produza informações suficientes para planejar medidas de prevenção. Abordagens qualitativas, semiquantitativas ou quantitativas podem ser utilizadas, de acordo com a natureza do risco e as exigências da situação.

Dica prática: comece sempre pelo mapeamento das atividades. Uma empresa não pode avaliar o que não conhece. Levantar todas as atividades por setor é o pré-requisito de qualquer AEP bem feita.
Roteiro

O roteiro completo da AEP

O processo de AEP pode ser estruturado em seis etapas. Cada uma gera insumos para a próxima e, ao final, produz um registro completo e rastreável das condições de trabalho avaliadas.

1

Planejamento e escopo

Definir quais unidades, setores e atividades serão avaliados, quem conduzirá a avaliação e qual metodologia será adotada. O escopo deve ser documentado antes do início das visitas.

  • Levantar o organograma e a lista de atividades da empresa
  • Priorizar setores com histórico de afastamentos ou queixas osteomusculares
  • Definir cronograma de visitas e equipe responsável
2

Levantamento de campo

Visita ao posto de trabalho para observação direta das atividades reais, não das atividades prescritas. A diferença entre o que está no procedimento e o que o trabalhador efetivamente faz é uma das informações mais relevantes da AEP.

  • Observação da atividade com o trabalhador em situação real de trabalho
  • Entrevistas para capturar percepção de desconforto, dificuldades e adaptações
  • Registros fotográficos ou em vídeo das posturas e condições do posto
  • Anotação das condições ambientais relevantes: iluminação, ruído, temperatura
3

Identificação dos perigos ergonômicos

Com base nas observações, identificar e descrever os perigos ergonômicos presentes em cada atividade avaliada. Os perigos devem ser classificados por categoria para facilitar a análise e o plano de ação.

  • Biomecânicos: postura, força, repetição, vibração, transporte de cargas
  • Organizacionais: ritmo de trabalho, pausas, metas, pressão de tempo, trabalho em turnos
  • Cognitivos: atenção prolongada, múltiplas tarefas simultâneas, decisões sob pressão
  • Ambientais: iluminação, ruído de fundo, temperatura, layout do posto
4

Avaliação e classificação do risco

Para cada perigo identificado, determinar o nível de risco com base na combinação entre severidade da possível lesão e probabilidade de ocorrência, conforme exige a NR01. A classificação orienta a priorização das ações.

  • Aplicar a metodologia definida no planejamento de forma consistente
  • Considerar as medidas de prevenção já existentes ao classificar o risco residual
  • Documentar os critérios adotados para garantir rastreabilidade
5

Registro estruturado dos resultados

Documentar todos os dados coletados de forma padronizada, vinculando cada registro à unidade, setor e atividade correspondente. O registro deve ser rastreável e integrável ao inventário de riscos do PGR.

  • Usar formato padronizado para permitir comparações entre avaliações ao longo do tempo
  • Incluir evidências fotográficas associadas a cada perigo registrado
  • Registrar data, responsável e metodologia utilizada
  • Integrar os resultados ao inventário de riscos exigido pela NR01
6

Priorização e encaminhamento

Com os riscos classificados, definir quais situações exigem plano de ação imediato e quais demandam aprofundamento por meio de uma AET. Essa triagem é parte essencial da AEP e deve estar documentada.

  • Ordenar as ações pelo nível de criticidade do risco
  • Indicar formalmente as situações que devem avançar para AET
  • Encaminhar para o responsável pelo plano de ação com prazo definido
Registro

O que deve constar no registro da AEP

A NR01 exige que os resultados da avaliação ergonômica preliminar sejam registrados pela organização e integrados ao inventário de riscos do PGR. Os campos mínimos recomendados para um registro completo e auditável são:

IdentificaçãoUnidade, setor e atividade avaliada
Data e responsávelQuem conduziu e quando foi realizada
Descrição do perigoO que foi identificado e em qual contexto
Categoria do riscoBiomecânico, organizacional, cognitivo ou ambiental
Nível de riscoClassificação por severidade e probabilidade
Medidas existentesControles já implementados no posto
EvidênciasFotografias ou vídeos vinculados ao registro
EncaminhamentoPlano de ação ou indicação para AET
NR01, item 1.5.7.3.2: o inventário de riscos deve contemplar, entre outros, os resultados da avaliação de ergonomia nos termos da NR17, incluindo caracterização das atividades, descrição dos perigos, indicação dos grupos de trabalhadores expostos e descrição das medidas de prevenção implementadas.
Atenção

Erros comuns na condução da AEP

Conhecer os erros mais frequentes ajuda a evitá-los antes que comprometam a qualidade do processo e a validade dos registros em uma fiscalização.

  • Avaliar a atividade prescrita, não a real: o que está no procedimento nem sempre é o que o trabalhador faz. A observação deve capturar a atividade efetiva.
  • Não registrar formalmente: AEP feita sem documentação não existe para fins de auditoria. O registro é obrigatório e deve ser rastreável.
  • Avaliar só os postos de maior risco óbvio: a AEP deve cobrir todas as atividades que demandam adaptação ergonômica, não apenas as mais críticas.
  • Não vincular ao inventário de riscos: os resultados da AEP precisam alimentar o PGR. Manter os dois documentos separados gera inconsistência e fragiliza a conformidade.
  • Fazer a AEP e não dar continuidade: identificar riscos sem plano de ação é insuficiente. A AEP gera obrigações de encaminhamento que precisam ser registradas e acompanhadas.
Atenção: a avaliação ergonômica preliminar deve ser revisada a cada dois anos ou sempre que houver mudanças nos processos, atividades ou condições de trabalho que possam alterar os riscos identificados, conforme a NR01.
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